51% desaprovam Lula; Flávio lidera entre os independentes no 2º turno

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 11 de março de 2026

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A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, realizada em março de 2026, traz dados que acendem o sinal amarelo para o governo federal. O levantamento mostra que 51% dos brasileiros desaprovam Lula, enquanto 44% aprovam o seu trabalho. Esse saldo negativo de 7 pontos marca o pior resultado de aprovação desde julho de 2025, antes das tarifas impostas ao Brasil por Donald Trump.

Desaprovam Lula

Quando olhamos para a avaliação do governo, a percepção positiva oscilou para baixo, saindo de 33% para 31% no último mês. Já a avaliação negativa subiu de 39% para 43%, fazendo com que o saldo negativo dobrasse em apenas 30 dias, saltando de -6 para -12, sinalizando que a aprovação de Lula está sob forte pressão.

Três motivos explicam por que 51% desaprovam Lula

Para entender essa queda na popularidade, a pesquisa identifica uma combinação de três fatores principais que desenham a narrativa atual do país:

  • O primeiro fator é o crescimento das notícias desfavoráveis ao governo que inverteu uma tendência de melhora iniciada no segundo semestre de 2025. Enquanto 47% dos brasileiros foram impactados por notícias negativas, apenas 24% receberam notícias positivas.

Esse ambiente fez com que a corrupção saltasse para o posto de segunda maior preocupação nacional (20%), atrás apenas da violência (27%).

  • O segundo motivo é a piora na percepção sobre a economia. Embora os índices não estejam tão ruins quanto os de março do ano passado, a tendência vem piorando desde dezembro de 2025. Hoje, 48% dos brasileiros acreditam que a economia piorou no último ano, enquanto apenas 24% viram melhora.
  • Por fim, a esperada melhora na popularidade devido à nova tabela do Imposto de Renda não aconteceu. O percentual de brasileiros que dizem ter sido beneficiados oscilou apenas de 30% para 31% no último mês, não gerando impacto naqueles que desaprovam Lula.

A calcificação e os cenários para as eleições de 2026

O estudo reforça que o Brasil vive uma “calcificação política”. No cenário de primeiro turno, Lula mantém entre 36% e 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 30% e 35%. Outros nomes aparecem com menos fôlego: Ratinho Jr. tem 7%, Caiado 4%, e Zema e Eduardo Leite registram 3% cada.

Um ponto fundamental da narrativa está na evolução do “Cenário IV” entre dezembro de 2025 e março de 2026. Nele, Lula caiu de 39% para 36%, quanto Flávio Bolsonaro saltou 10 pontos, indo de 23% para 33%. No mesmo período, Ratinho Jr. caiu de 13% para 7%.

Mas de onde vem esse crescimento de Flávio Bolsonaro? A resposta está na conversão de grupos específicos. Desde que foi lançado pelo pai, Flávio conseguiu monopolizar o eleitor bolsonarista (indo de 76% para 92% de conversão) e cresceu fortemente entre eleitores de direita (de 45% para 71%). Além disso, ele quase dobrou seu desempenho entre eleitores independentes, subindo de 11% para 21% de conversão.

Flávio lidera entre os independentes no segundo turno

A simulação de segundo turno mostra o impacto direto desses movimentos: um empate numérico de 41% x 41% entre Lula e Flávio. No último mês, a diferença de 5 pontos que favorecia o atual presidente desapareceu.

A grande novidade desta pesquisa é que Flávio lidera entre os independentes no cenário de segundo turno. Neste grupo, ele aparece com 32% contra 27% de Lula. Embora a margem de erro neste subgrupo seja de 3 pontos, o fato de que Flávio lidera entre os independentes coloca a oposição em uma posição de vantagem numérica inédita em um segmento que deverá decidir o jogo.

Entre outras simulações de segundo turno, Lula ainda mantém vantagem contra diferentes adversários:

  • Ratinho Jr.: Lula aparece 9 pontos à frente;
  • Romeu Zema: Lula lidera com 10 pontos de vantagem;
  • Ronaldo Caiado: vantagem de 12 pontos para Lula;
  • Eduardo Leite: Lula à frente com 16 pontos.

Um dado relevante é que, entre as alternativas testadas, apenas Romeu Zema apresentou uma melhora consistente. Em janeiro, ele estava 15 pontos atrás de Lula e agora reduziu essa distância para 10 pontos. O governador de Minas Gerais melhorou seu desempenho especialmente entre eleitores bolsonaristas (de 56% para 63%) e manteve uma tendência positiva na direita. Além disso, Lula e Zema aparecem empatados com 33% cada entre os eleitores independentes.

Batalha de rejeições e o comportamento dos independentes

A pesquisa aponta que o “medo” está mudando de lado: 43% têm medo da continuidade do governo atual, enquanto 42% temem a volta da família Bolsonaro.

Enquanto 51% desaprovam Lula, o presidente atingiu sua maior rejeição numérica (56%) e seu pior potencial de voto (41%). Flávio Bolsonaro registra 55% de rejeição.

O ponto crucial é o comportamento dos independentes. Nesse grupo, Lula aparece com mais potencial de voto (29% x 26%), mas também com mais rejeição (65% x 61%). Além disso, 6% não opinam sobre Lula e 13% não opinam sobre Flávio, faixa que tende a definir o jogo.

O desfio da moderação

Para vencer a disputa em 2026, o desafio para ambos será a imagem de moderação. Atualmente, 48% dos brasileiros não consideram Flávio mais moderado que sua família. Esta é uma opinião especialmente forte entre os eleitores independente: 53% o consideram tão radical quanto a família, contra 28% que o consideram mais moderado.

Lula também divide o país: 42% o acham mais moderado que o PT, mas 43% o consideram igual ao partido. Assim como acontece com o seu oponente, a maior parte do eleitor independente também acha que Lula é igual ao PT (44% x 34%).

No entanto, vale destacar a pequena vantagem que o presidente sustenta nesse quesito de imagem: entre os independentes, 34% acham Lula mais moderado que o seu partido, enquanto 28% acham Flávio mais moderado que sua família.

Metodologia

A Quaest ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 6 e 9 de março de 2026. O nível de confiabilidade é de 95% e a margem máxima de erro é de 2 pontos percentuais. Pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e está registrada no TSE sob o número BR-5809/2026.

📊 Acesse o relatório completo aqui.

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