A Quaest encerra sua série de levantamentos estaduais com um diagnóstico profundo sobre o humor do eleitorado em dez das maiores estados brasileiros. Os resultados da nova rodada da Pesquisa Genial/Quaest traçam um panorama onde a aprovação do governo Lula e as heranças regionais de voto desenham o tabuleiro para as Eleições 2026.
O termômetro da aprovação e o impacto no 1° turno
O cenário de aprovação do governo Lula revela um Brasil dividido geograficamente. O saldo é positivo nos estados do Nordeste, com destaque para Pernambuco (+29), Bahia (+27) e Ceará (+23); e no Pará (+4). Em contrapartida, todas as demais regiões pesquisadas apresentam saldo negativo, com a desaprovação chegando a 61% em Goiás e 60% no Paraná.

Não é coincidência que essa avaliação reflita diretamente na intenção de voto para o 1º turno. Lula abre vantagem considerável justamente onde sua aprovação é sólida. No entanto, o levantamento mostra que a polarização nacional é quebrada em Goiás, onde o ex-governador Ronaldo Caiado lidera a corrida presidencial à frente de Lula e Flávio Bolsonaro. Já em Minas Gerais, embora Romeu Zema apresente um bom desempenho, ele ainda não supera os dois líderes nacionais.

Projeções de 2° turno: Flávio Bolsonaro x Lula
Quando simulamos um eventual embate direto entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), as divisões regionais se acentuam. Flávio venceria com folga no Rio Grande do Sul (+26), Paraná (+20), Goiás (+13), São Paulo (+12) e Rio de Janeiro (+13).
Por outro lado, Lula mantém uma liderança disparada na Bahia (+33), Pernambuco (+34) e Ceará (+28), além de uma vantagem de 7 pontos no Pará. O estado de Minas Gerais surge como o fiel da balança, apresentando um empate técnico, com uma ligeira vantagem numérica de 3 pontos para o atual presidente.

Tendências históricas e evolução do voto por estado
Para compreender o que esses números significam para as eleições 2026, a pesquisa Genial/Quaest comparou os dados atuais com os resultados de 2018 e 2022:
- São Paulo: Flávio Bolsonaro tem hoje uma vantagem de 14 pontos, superior aos 10 pontos que Bolsonaro obteve em 2022, mas ainda longe dos 36 pontos de vantagem de 2018.

- Minas Gerais: A situação tem se tornado mais favorável ao PT. Se em 2018 a derrota foi por 16 pontos, em 2022 houve um empate de fato, e agora Lula registra uma vantagem de 4 pontos.

- Rio de Janeiro: A vantagem da oposição permanece estável. Os 14 a 16 pontos de frente de Flávio hoje repetem o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022.

- Bahia: O reduto petista mostra estabilidade com 71% das intenções para Lula, embora a vantagem venha oscilando levemente para baixo ao longo dos últimos ciclos (+46 em 2018 para +42 agora).

- Ceará: Aqui, a tendência de queda do PT é mais nítida. A dianteira, que já foi de 42 pontos em 2018, agora está em 34 pontos.

- Pernambuco: Ao contrário do vizinho cearense, Lula ampliou sua margem no estado, subindo de uma vantagem de 34 pontos em 2022 para 42 pontos no levantamento atual.

- Sul do Brasil: No Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro demonstra força ao registrar 9 pontos percentuais a mais do que seu pai obteve na eleição anterior (65% contra 56% de votos válidos), iniciando o ano eleitoral com 30 pontos de frente sobre Lula.
- Já no Paraná, Flávio mantém a mesma vantagem (62% x 38%) que Jair obteve em 2022, permanecendo abaixo dos 36 pontos de frente registrados em 2018.


- Pará e Goiás: No Norte, a vantagem de Lula parece cristalizada em torno de 54%. Em Goiás, o desempenho do PT melhorou gradualmente, saindo de 34% em 2018 para os atuais 42%.


Cenários alternativos: o impacto de Caiado e Zema
A competição para 2026 sugere uma repetição do equilíbrio de 2022, com uma leve vantagem para a oposição nos estados do Sul e Sudeste. Entretanto, a inclusão de outros nomes altera a dinâmica:
- Cenário com Ronaldo Caiado: O governador de Goiás vence Lula em sua terra natal (51% a 26%) e consegue empatar em redutos difíceis como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

- Cenário com Romeu Zema: O mineiro demonstra seu prestígio regional ao empatar com Lula em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul.

Em resumo, o presidente Lula mantém sua base sólida no Nordeste e Pará, onde a aprovação do governo é positiva. Simultaneamente, Flávio Bolsonaro consolida a força da direita no Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, indicando que o cenário eleitoral permanece altamente polarizado e dependente das forças regionais.
Metodologia
A Quaest realizou 11.646 entrevistas presenciais entre os dias 21 e 28 de abril de 2026. A amostra foi distribuída da seguinte forma: 1.650 em SP; 1.482 em MG; 1.200 no RJ e na BA; 1.104 no PR, RS e GO; 1.002 no CE e 900 em PE e no PA. O nível de confiança é de 95% e a margem máxima de erro é de 2 pontos percentuais.
Pesquisas registradas junto à Justiça Eleitoral: São Paulo (BR-09928/2026), Minas Gerais (BR-00430/2026), Rio de Janeiro (BR-06207/2026), Bahia (BR-08703/2026), Paraná (BR-01656/2026), Rio Grande do Sul (BR-06915/2026), Pernambuco (BR-03473/2026), Ceará (BR-01347/2026), Pará (BR-01755/2026) e Goiás (BR-01368/2026). O resultado para o território Brasil se refere à pesquisa BR-09285/2026.


