1. Quem acompanhou a eleição brasileira pelas tendências das pesquisas da Quaest teve poucas surpresas na noite de ontem. Os levantamentos publicados conseguiram captar tendências que se confirmaram nas urnas, incluindo o voto útil da direita na eleição presidencial, um recorde de vitórias em 1º turno nos estados e o desfecho de algumas das disputas estaduais mais apertadas do país.
Trabalho independente, científico e que reúne uma equipe incrível de jovens pesquisadores determinados a entender o Brasil.
Segue o fio para um balanço geral.
2. Na eleição para presidente, a Quaest divulgada na véspera captou forte ‘voto útil de direita’ em favor de Flávio Bolsonaro. Caiu de 14% para 7,8% a votação dos outros candidatos na última semana, enquanto Flávio foi de 40% a 47%. Lula ficou estável. As urnas apenas confirmaram a tendência que já aparecia na pesquisa.

3. Em 9 estados, a Quaest indicava vitória confortável no 1º turno. Veja a estabilidade das estimativas. Em SP, a reeleição de Tarcisio nunca esteve em questão. O mesmo aconteceu com Jorginho Melo em SC, Eduardo Riedel no MS, Daniel Vilella em GO, Fabio Mitidieri em SE, Lucas Ribeiro na PB, Eduardo Braide no MA, Arthur Henrique em RR e Dr Furlan no AP.

4. Em 5 estados, a Quaest indicava vitória no 1º turno, mas com a definição só na reta final. Em Minas, Cleitinho vence avançando no eleitor de esquerda, centro e direita. No RS, mostramos Zucco em forte aceleração. O mesmo aconteceu com Otaviano Pivetta no MT, Marcos Rogerio em Rondônia. No Pará, vitória da oposição, com Dr. Daniel.

5. Em 4 estados, a Quaest indicava eleições muito apertadas até a véspera. No Ceará, mostramos a virada de Elmano sobre Ciro. Na Bahia, a virada de Jerônimo sobre ACM. Em Pernambuco, capturamos a recuperação final de Raquel Lyra. E em Alagoas, o empate técnico entre JHC e Renan.

6. Em 5 estados, a Quaest apontava que a eleição iria para o 2º turno. No ES, confirmou-se a disputa entre Pazolini e Ferraço, no AM indicamos segundo turno entre Omar e Maria do Carmo, no RN a disputa entre Alysson e Cadu de Lula, no Tocantins a pesquisa mostrou disputa entre Dorinha e Vicentinho Jr e no Acre a disputa de Mailza Assis e Alan Rick.

7. No DF, Celina ficou muito próxima de vencer no 1º turno, como a Quaest indicava, mas acabou sendo surpreendida por dois fenômenos, pelo crescimento de Grass na reta final e pelo alto número de votos nulos no 22 para o governo.

8. No Paraná, Sergio Moro venceu logo no primeiro turno, empurrado pela onda da direita que tomou conta do país. A pesquisa de véspera indicava, no entanto, 2º turno contra Sandro Alex.

9. O caso mais atípico e frustrante dessa eleição foi o Rio. Em uma eleição com governador interino, com a candidatura Garotinho participando de toda a campanha com votos sob júdice, a Quaest começou a captar a tendência, mas não a intensidade do crescimento de Ruas. Nossa hipótese é que milhares de eleitores indecisos (o Rio tinha a maior taxa de pessoas alienando voto no país) migraram em massa para Douglas Ruas nas últimas 48 horas à medida que ele foi sendo percebido como o candidato associado à candidatura de Flávio Bolsonaro.

10. Esse balanço tem um único objetivo: exaltar a ciência política e a estatística! As ferramentas que nos permitira, sem torcida e sem achismo, detectar as principais tendências dessa eleição. Seguimos aprendendo, inovando, com humildade e pés nos chão o nosso trabalho de 2º turno.


