Flávio Bolsonaro consolida-se como principal opositor de Lula

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 12 de fevereiro de 2026

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A pesquisa Genial/Quaest de fevereiro de 2026 indica que Flávio Bolsonaro consolida-se como principal opositor de Lula na disputa presidencial. Embora o presidente lidere numericamente em todos os cenários estimulados de primeiro turno, a vantagem sobre o senador varia entre 4 e 8 pontos percentuais.

Flávio Bolsonaro consolida-se como principal opositor de Lula

Desde que foi indicado por Jair Bolsonaro, em dezembro de 2025, Flávio registrou crescimento contínuo. No cenário que inclui Ratinho Jr., Aldo Rebelo e Renan Santos, ele avançou 8 pontos. No mesmo intervalo, Lula oscilou dois pontos para baixo, enquanto Ratinho caiu de 13% para 7%.

Consolidação do nome na direita

A consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro se explica pela sua forte capacidade de retenção do eleitorado mais ideológico. Entre bolsonaristas, 92% declaram voto no senador. Entre eleitores de direita não bolsonaristas, no entanto, apenas 65% afirmam intenção de apoiá-lo.

O desafio permanece entre os independentes, grupo que historicamente define eleições. Lula mantém ampla vantagem entre lulistas e eleitores de esquerda e segue numericamente à frente entre independentes.

A percepção sobre a indicação também evoluiu. Cresce entre bolsonaristas e eleitores da direita a avaliação de que Jair Bolsonaro acertou ao indicar o filho como candidato. Já entre independentes, 44% consideram que a decisão foi um erro e 23% dizem não saber ou não querer avaliar.

Segundo turno: Lula lidera, mas disputa com Flávio encurta

Nas simulações de segundo turno, Lula aparece à frente de todos os adversários. Flávio é quem apresenta a menor distância: diferença de 5 pontos. Ratinho Jr. surge a 8 pontos; Caiado, a 10; Zema, a 11; Eduardo Leite, a 14; Aldo Rebelo e Renan Santos, a 19 pontos.

No comparativo temporal, a vantagem de Lula sobre Flávio caiu de 7 para 5 pontos no último mês, uma variação dentro da margem de erro estimada.

Essa oscilação ocorreu especialmente entre eleitores independentes. No entanto, é importante considerar que margens de erro em subgrupos são maiores, exigindo cautela na interpretação dessas movimentações.

O fator “medo” e a polarização

A variável que mede o medo (fundamental para entender 2022) indica cenário de polarização acirrada. Hoje, 41% dizem temer a continuidade de Lula no poder, enquanto 44% afirmam ter medo da volta da família Bolsonaro.

Nos demais cenários de segundo turno, há estabilidade. Ratinho Jr. permanece próximo dos 35% desde novembro de 2025, enquanto Lula oscila em torno de 43%.

Limites de crescimento de outras candidaturas

O desempenho de Ratinho Jr. revela um padrão: o apoio conquistado entre eleitores de direita não bolsonaristas e independentes é compensado por perda entre bolsonaristas. Essa rejeição dentro do núcleo mais fiel ao ex-presidente limita seu potencial de expansão.

Situação semelhante ocorre com Ronaldo Caiado. Ele oscilou de 33% para 32% no último mês, enquanto Lula variou de 44% para 42%. A vantagem do presidente permaneceu estável.

Nos últimos três meses, o ganho residual de Caiado entre direita e independentes foi neutralizado pela perda de tração entre bolsonaristas.

Rejeição e potencial de voto indicam disputa competitiva

A análise da rejeição reforça o caráter competitivo da disputa entre Lula e Flávio. A taxa é praticamente idêntica: 54% para Lula e 55% para Flávio.

A diferença aparece no potencial de voto: 42% afirmam que poderiam votar em Lula, contra 36% que declaram o mesmo em relação a Flávio.

Calcificação política e divisão estrutural do eleitorado

A chamada “calcificação política”, conceito que desenvolvi ao lado de Thomas Traumann no livro Biografia do Abismo (2023), aparece com clareza nos dados atuais.

Lula e Flávio apresentam patamares muito semelhantes de intenção de voto dentro dos polos ideológicos e níveis equivalentes de rejeição entre independentes. A vantagem de Lula reside no maior potencial de voto nesse grupo.

A divisão também se reflete na aprovação do governo: 49% desaprovam a gestão Lula, enquanto 45% aprovam. Esse padrão está estável desde outubro de 2025.

Avaliação do governo e desejo de continuidade

Na avaliação qualitativa do governo, 39% classificam a gestão como ruim ou péssima; 33% como boa ou ótima; 26% como regular. O saldo é de 6 pontos negativos.

Embora Lula lidere todos os cenários testados, ainda não mobiliza maioria favorável à continuidade: 57% afirmam que ele não merece mais quatro anos, contra 39% que defendem um quarto mandato.

Metodologia

A Pesquisa Genial/Quaest de fevereiro 2026 ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 5 e 9 de fevereiro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais. O estudo foi encomendado pela Genial Investimentos e está registrado no TSE sob o número BR-249/2026. 

📊 Acesse a pesquisa completo aqui.

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