Genial/Quaest: Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 10 de junho de 2026

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O cenário político rumo à sucessão presidencial ganha contornos mais nítidos com a divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest, de junho de 2026. Os dados mostram a fotografia atualizada do primeiro turno no cenário estimulado, no qual Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro ao registrar 39% das intenções de voto, contra 29% do senador.

Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro

Mais atrás na disputa, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada, seguidos por Aécio Neves e Romeu Zema, que somam 2% cada. O grupo de eleitores que se declaram indecisos chega a 10%.

Ao analisar o comportamento dos segmentos políticos, o levantamento aponta que o bolsonarismo demonstra forte fidelidade, mantendo-se firme com 94% de apoio a Flávio.

Por outro lado, a chamada “direita não-bolsonarista” se mostra bem menos adepta ao nome do senador neste primeiro turno. Dentro desse estrato específico, 11% indicam a intenção de votar em Renan Santos, 10% optam por Lula e 6% escolhem Ronaldo Caiado.

Segundo turno: Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro

Quando o cenário é afunilado para um eventual embate direto na segunda etapa da eleição, as movimentações se consolidam. Na simulação de segundo turno, Lula abre vantagem sobre Flávio com uma distância de 6 pontos percentuais, estabelecendo o placar de 44% a 38%.

A movimentação mais expressiva para esse resultado aconteceu no eleitorado independente, que trocou o voto em Flávio pelo voto em Lula. Além disso, chama a atenção a oscilação negativa que o senador do PL obtém entre os eleitores que se posicionam na direita não-bolsonarista.

Enquanto isso, as demais alternativas do campo da direita enfrentam dificuldades e não conseguem melhorar seus desempenhos contra o atual presidente a ponto de se mostrarem mais competitivas do que o primeiro colocado da posição. Romeu Zema apresentou uma oscilação negativa neste último mês e se encontra a 10 pontos de distância de Lula.

Já Ronaldo Caiado se mantém estável nas últimas três pesquisas, sustentando a mesma distância de 10 pontos em relação ao petista.

Quem tem apresentado trajetória de melhora em seu desempenho na simulação de segundo turno é Renan Santos. O candidato do Missão chegou a 31% das intenções de voto, seu melhor patamar na série histórica, embora os dados indiquem que ele ainda aparece menos competitivo do que Flávio Bolsonaro.

No quesito rejeição e potencial de voto, o cenário trouxe poucas alterações: Lula viu seu potencial de voto oscilar positivamente 1 ponto, enquanto Flávio viu sua rejeição oscilar negativamente 2 pontos. Os outros nomes testados ainda permanecem muito desconhecidos do grande público.

O peso da economia e o ambiente de notícias

Para além do termômetro das urnas, a avaliação da atual administração federal ajuda a compreender o momento político. A pesquisa captou uma variação positiva mínima na aprovação do governo, deixando o quadro geral com a desaprovação em 48% e a aprovação em 47%.

Essa acomodação no cenário para o presidente Lula possui três explicações complementares:

  • Imposto de Renda: os efeitos práticos da isenção do imposto de renda continuam a aumentar a percepção popular, mesmo que de forma marginal.
  • Alívio Financeiro: o novo programa Desenrola já reduziu o percentual de brasileiros que se diziam com muitas dívidas (caindo de 28% para 23%), ao mesmo tempo em que o total de que afirmam não ter mais dívidas foi para 30%.
  • Ambiente de Informações: o levantamento registrou que a circulação de notícias positivas sobre o governo federal continua aumentando.

Fatores de desgate na oposição

Do lado oposto, o desenho de maior dificuldade para a oposição, especialmente contra o Flávio Bolsonaro, também está embasado em três fatores que se integram. O primeiro deles mostra que aumentou de 9% para 16% o total de brasileiros que acreditam que a crise envolvendo o Branco Master afetará mais a família Bolsonaro.

O segundo fator passa pela percepção de opinião pública: a grande maioria dos entrevistados acredita que Flávio cometeu um erro ao pedir financiamento para o documentário sobre Jair Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Na opinião de 58% dos brasileiros, esse erro sugere que o parlamentar possa estar escondendo algum envolvimento ilegal no caso do banco Master.

Por fim, o terceiro elemento indica que a recente agenda internacional dom Donald Trump não parece ter trazido dividendos políticos para Flávio. Embora 60% dos brasileiros continuem defendendo que organizações como o Comando Vermelho (CV) e PCC devam ser tratadas como terroristas pela lei nacional, a sociedade se mostra dividida sobre essa classificação ser feita diretamente pelo governo americano.

Além disso, as consequências decorrentes desse episódio para o sistema financeiro nacional e para outras empresas parecem ser negativas na avaliação de 53% da população.

No debate sobre as tarifas de importação, a maior parte dos entrevistados concorda mais com a narrativa política de Lula, que tem firmado que Flávio Bolsonaro pediu o novo tarifação a Trump. O argumento governista também encontra mais aderência ao associar o tarifação a uma possível retaliação internacional contra o sistema PIX.

Em contrapartida, a tese de Flávio, de que as falas de Lula contra os EUA é que motivaram tais decisões restritivas, mobiliza menos pessoas no contexto atual.

Metodologia

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 120 municípios brasileiros entre os dias 5 e 8 de junho de 2026. O nível de confiabilidade é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 2 pontos percentuais. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e encontra-se devidamente registrado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-7661/2026.

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