Genial/Quaest: Lula lidera, mas não empolga: os sinais da disputa presidencial

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 14 de janeiro de 2026

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A pesquisa Genial/Quaest 2026 revela um cenário eleitoral que combina estabilidade na liderança de Lula com movimentos importantes dentro da oposição, especialmente no campo da direita. Embora o presidente lidere todos os cenários testados de primeiro e segundo turno, os dados mostram uma disputa em transformação, marcada por reposicionamentos estratégicos, mudança de percepções e sinais claros de polarização persistente.

Lula à frente no primeiro turno e a consolidação de Flávio Bolsonaro

Nos cenários estimulados de primeiro turno, Lula aparece na liderança em todas as simulações, com intenções de voto variando entre 35% e 40%. Na disputa pela segunda posição, Flávio Bolsonaro se consolida como o principal nome da oposição. No cenário que inclui Tarcísio de Freitas e outros candidatos, Flávio atinge 23% das intenções de voto. Sem o governador de São Paulo, esse percentual sobe para 26%.

Pesquisa Genial/Quaest 2026

Quando Flávio, Ratinho Jr. e Romeu Zema são retirados da disputa, Tarcísio alcança 27%, indicando que há espaço competitivo dentro da direita, mas também uma fragmentação clara quando múltiplos nomes estão presentes.

O avanço de Flávio além do bolsonarismo

Os dados sugerem que o crescimento recente de Flávio Bolsonaro não se explica apenas pelo apoio do eleitorado bolsonarista. Há sinais consistentes de que ele começa a ser considerado também pela direita não bolsonarista. Nesse segmento, Flávio já concentra quase metade das intenções de voto, superando com folga Tarcísio e Ratinho Jr. no cenário com todos os candidatos.

Esse movimento indica que parte da direita começa a enxergar em Flávio uma alternativa viável, mesmo diante de outros nomes competitivos.

Segundo turno: Lula vence, mas com distâncias variáveis

Nas simulações de segundo turno, Lula também vence todos os adversários testados. A diferença, no entanto, varia de acordo com o oponente. Contra Tarcísio de Freitas, a vantagem do presidente é de 5 pontos percentuais. Contra Flávio Bolsonaro ou Ratinho Jr., essa distância sobe para 7 pontos.

Em confrontos com outros nomes da direita, a vantagem de Lula é ainda maior: 11 pontos contra Ronaldo Caiado, 15 contra Romeu Zema, 18 contra Aldo Rebelo e 20 contra Renan Filho.

Um dado relevante é a redução da distância entre Lula e Tarcísio no último mês. A vantagem, que era de 10 pontos em dezembro, caiu para 5 pontos em janeiro, sinalizando uma maior competitividade nesse confronto específico.

O dilema de Tarcísio e o papel da direita não bolsonarista

O principal trunfo de Tarcísio de Freitas em um eventual segundo turno contra Lula seria o apoio crescente da direita bolsonarista. Seu maior desafio, contudo, está em convencer eleitores independentes e bolsonaristas de que ele representa um projeto presidencial viável, especialmente em um cenário de desistência de Flávio Bolsonaro.

Essa dificuldade se conecta a uma percepção mais ampla identificada pela pesquisa: para boa parte da população, a oposição só se torna realmente competitiva contra Lula se lançar um nome que não seja da família Bolsonaro. Em disputas com candidatos bolsonaristas, a crença majoritária é de vitória fácil de Lula. Já com um nome não bolsonarista, a eleição é vista como mais equilibrada.

A cresça de que Flávio vai até o fim

Apesar dessa percepção, cresce na população a convicção de que Flávio Bolsonaro será candidato até o fim. O percentual de brasileiros que acreditam nessa hipótese passou de 49% para 54% no último mês.

Essa visão se fortalece em praticamente todos os segmentos do eleitorado. Entre bolsonaristas, 83% acreditam que Flávio será o candidato. Na direita, esse número chega a 75%. Entre os independentes, quase metade já compartilha dessa expectativa, enquanto na esquerda o percentual é de 44%.

A avaliação da escolha de Jair Bolsonaro

Outro dado que reforça a manutenção de Flávio na disputa é o aumento do apoio à decisão de Jair Bolsonaro de indicar o filho como candidato. O percentual de brasileiros que avaliam essa escolha como correta subiu de 36% para 43%.

Entre os bolsonaristas, o apoio é praticamente consensual: 87% consideram a decisão correta. Esse movimento também se observa entre eleitores da direita, onde o apoio passou de 55% para 62%, e entre os independentes, de 28% para 36%.

Desempenho eleitoral e rejeição de Flávio Bolsonaro

Além de ganhar espaço na opinião pública, Flávio Bolsonaro apresentou melhora marginal em seu desempenho eleitoral no último mês. A desvantagem em relação a Lula, que era de 10 pontos em dezembro, caiu para 7 pontos em janeiro.

Esse avanço ocorre principalmente entre os eleitores mais à direita. Já o eleitor independente, decisivo em disputas nacionais, segue preferindo Lula em um eventual confronto direto com Flávio.

Para ampliar sua competitividade, Flávio ainda enfrenta um desafio central: sua rejeição. Nesse aspecto, houve melhora recente. Enquanto a rejeição a Lula permaneceu estável em 54%, a rejeição a Flávio caiu de 60% para 55%. Ainda assim, ela segue mais alta do que a de outros nomes da direita, como Tarcísio e Caiado, que também registraram quedas.

A transferência do capital político de Jair Bolsonaro

Os dados indicam que Jair Bolsonaro parece ter sido bem-sucedido na transferência de seu capital político. Entre os bolsonaristas, 73% afirmam que votarão no candidato indicado por ele, e outros 20% dizem que considerarão essa opção, totalizando 93%. Esse percentual é muito próximo ao nível de intenção de voto em Flávio nesse segmento.

Um cenário de polarização persistente

Caso o cenário com Flávio Bolsonaro se consolide até abril, Lula poderá disputar sua terceira eleição presidencial polarizada contra um membro da família Bolsonaro. Nesse contexto, o presidente se beneficia do sentimento de medo: 46% dizem temer a volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 40% afirmam temer a continuidade de Lula na Presidência.

Apesar disso, os dados mostram que Lula ainda não conseguiu gerar uma sensação positiva de continuidade. Pelo quarto mês consecutivo, a aprovação do governo permanece estável, com empate técnico entre os que aprovam (47%) e os que desaprovam (49%).

A avaliação do governo segue negativa: 39% consideram a gestão ruim ou péssima, 27% avaliam como regular e 32% como ótima ou boa. Além disso, a maioria dos brasileiros (56%) acredita que Lula não merece um novo mandato.

Metodologia

A Pesquisa Genial/Quaest foi realizada com 2.004 entrevistados, entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026, em 120 municípios. Pesquisa encomendada pela Genial Investimentos. Registro no TSE: BR-00835/2026.

📊 Acesse a pesquisa completa aqui.

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