Pesquisa Genial/Quaest: como estão as eleições em Minas e Pernambuco?

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 28 de julho de 2026

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As disputas estaduais de 2026 começam a desenhar contornos bem definidos em duas praças estratégicas do eleitorado brasileiro: o Sudeste e o Nordeste. O levantamento da nova pesquisa Genial/Quaest, realizado entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, apresenta um raio-X completo sobre as intenções de voto para governador, senador e presidente no cenário mineiro e no eleitorado pernambucano.

O cenário para as eleições em Minas e Pernambuco

Enquanto Minas Gerais reflete o espelho da polarização nacional acompanhada pela consolidação de nomes da direita local, Pernambuco desenha uma virada na disputa pelo governo do estado e a manutenção de uma forte hegemonia governista na corrida presidencial.

Minas Gerais: liderança de Cleitinho, transição de Zema e empate na corrida presidencial

No cenário mineiro, o senador Cleitinho aparece isolado na liderança da disputa pelo Palácio Tiradentes. Nos três cenários estimulados de primeiro turno em que seu nome é testado, ele registra entre 34% e 35% das intenções de voto. Na sequência, Alexandre Kalil alcança 12%, seguido por Patrus Ananias com 10%, Mateus Simões com 6% a 7% e Gabriel Azevedo com 4%.

Pesquisa Genial/Quaest

A posição de destaque de Cleitinho decorre, em parte, do afunilamento de votos no campo da direita e da divisão de forças na esquerda:

  • Direita e Bolsonarismo: Cleitinho obtém 59% da preferência entre os eleitores da direita não-bolsonarista e 51% entre os bolsonaristas.
  • Esquerda não-Lulista: Kalil soma 40% das intenções de voto e Patrus Ananias registra 25%.

Apesar da margem confortável, a disputa estadual convive com margens de incerteza: na pesquisa espontânea, 88% dos eleitores ainda não indicam espontaneamente um candidato. Na modalidade estimulada, 63% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de voto até o dia do pleito.

Nas simulações de segundo turno para o governo de Minas Gerais, Cleitinho venceria todos os adversários testados. Nos cenários em que seu nome não é incluído, Mateus Simões, Alexandre Kalil e Patrus Ananias empatariam nos dois cenários avaliados.

Avaliação do governo Zema e a sucessão estadual

A gestão de Romeu Zema conta com 52% de aprovação e 41% de desaprovação entre os mineiros. O levantamento identificou uma mudança na percepção popular sobre seu potencial como cabo eleitoral: em abril, 42% afirmavam que Zema merecia eleger o seu sucessor; agora, esse indicador subiu para 46%. No entanto, essa transferência de prestígio político para o seu vice, Mateus Simões, ainda não se concretizou numericamente nas urnas.

Ao analisar a avaliação direta do atual governador, o levantamento aponta que Mateus Simões é aprovado por 36% e desaprovado por 28%, enquanto uma parcela expressiva do estado (36%) afirma não saber avaliar o desempenho do gestor.

A disputa pelo Senado em Minas Gerais

Na corrida por uma vaga no Senado Federal, considerando a combinação dos dois votos aos quais o eleitor tem direito, Marília Campos lidera todas as simulações, variando de 18% a 20%. Aécio Neves surge na segunda posição, marcando 16% nos cenários em que é testado, seguido por Viana, Aro, Domingos Sávio e Eros Biondini.

A disputa ao Senado é a menos consolidada no estado: 64% dos eleitores declaram que ainda podem mudar de opinião, enquanto apenas 35% consideram a escolha definitiva. Em relação ao perfil desejado para a vaga, 48% dos mineiros preferem senadores independentes, 26% buscam aliados do presidente Lula e 22% optam por aliados de Jair Bolsonaro.

Cenário presidencial no eleitorado mineiro

Para a Presidência da República, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados no primeiro turno em Minas Gerais, com 30% e 29% das intenções de voto, respectivamente. O governador Romeu Zema consolida-se como uma terceira força relevante em seu estado natal, somando 12%. Ainda assim, a corrida permanece estruturada pela polarização nacional, com Lula e Flávio concentrando 59% do eleitorado mineiro.

No segundo turno presidencial no estado, persiste o empate técnico entre Lula (38%) e Flávio Bolsonaro (35%). Do mesmo modo, uma simulação entre Zema e Lula aponta igualdade técnica no estado, com Zema registrando 39% e Lula, 37%.

A decisão para presidente apresenta maior consolidação entre os mineiros do que as escolhas estaduais: 54% afirmam que o voto é definitivo (frente a 36% para governador e 35% para senador). A definição atinge 78% entre os eleitores de Lula, 59% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro e 41% entre os apoiadores de Zema.

Pernambuco: virada de Raquel Lyra e hegemonia de Lula no eleitorado local

Em Pernambuco, a pesquisa Genial/Quaest revela a governadora Raquel Lyra com 43% das intenções de voto no primeiro turno. Ela se encontra tecnicamente empatada no limite da margem de erro, mas numericamente à frente do ex-prefeito do Recife, João Campos, que registra 37%.

A divisão do eleitorado pernambucano expõe clivagens bem marcadas entre os segmentos:

  • Lulistas: João Campos lidera com 54% das intenções contra 33% de Raquel Lyra.
  • Independentes: Raquel Lyra vence por 47% a 31%.
  • Direita não-bolsonarista: Raquel Lyra amplia a vantagem para 61% contra 24%.
  • Bolsonaristas: a governadora atinge 73% da preferência, frente a 13% de João Campos.

A consolidação do voto para o Palácio do Campo das Princesas já é elevada: 58% dos pernambucanos declaram voto definitivo e 41% ainda podem mudar. Entre os eleitores de João Campos, 66% consideram a escolha consolidada; entre os eleitores de Raquel, o índice é de 58%.

Nas simulações de segundo turno, Raquel Lyra reverteu a desvantagem observada no levantamento de abril. Naquela ocasião, João Campos liderava com 46% contra 38% de Raquel. No levantamento atual, Raquel aparece com 45% e João com 39%. A diferença de seis pontos situa-se no limite da margem de erro, mas coloca a governadora em posição de vantagem numérica.

Transferência de voto e avaliação da gestão estadual

Um dado relevante do cenário pernambucano é que 47% do eleitorado deseja que o próximo governador seja um aliado de Lula. Contudo, a percepção de que João Campos é o candidato oficial de Lula recuou para 44%. Mesmo no cenário em que essa associação é testada, Raquel mantém a liderança, sugerindo que o prestígio político de Lula não se transfere de forma automática para o ex-prefeito do Recife.

A recuperação de Raquel Lyra é impulsionada pela evolução da avaliação de seu governo:

  • A aprovação da gestão estadual subiu de 62% para 68%.
  • A taxa de desaprovação recuou de 35% para 23%.
  • Sentimento sobre o governo: 73% dos eleitores defendem a continuidade do trabalho ou apenas ajustes no que não está funcionando, enquanto apenas 24% desejam uma mudança total na administração.

Corrida ao Senado em Pernambuco

Na disputa pelas cadeiras no Senado Federal, considerando a soma dos dois votos, Marília Arraes lidera todos os cenários em Pernambuco, com percentuais entre 19% e 21%. O senador Humberto Costa aparece em segundo lugar, marcando entre 12% e 14%. Nas simulações em que o nome de Mendonça Filho é testado, ele alcança 8%, enquanto Eduardo da Fonte e Miguel Coelho pontuam com 6% cada.

O quadro para o Senado continua aberto no estado: o percentual de indecisos oscila entre 17% e 24%, ao passo que os votos brancos, nulos ou de eleitores que não pretendem votar somam entre 22% e 25%. Além disso, 53% do eleitorado pernambucano ainda pode alterar sua escolha para o Senado, enquanto 46% afirmam ter uma decisão definitiva.

Corrida presidencial em Pernambuco

No cenário presidencial de primeiro turno, o presidente Lula lidera com folga no estado, alcançando 55% das intenções de voto, contra 21% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury e Renan Santos registram 2% cada, enquanto Romeu Zema e Ronaldo Caiado somam 1% cada.

Em uma eventual disputa de segundo turno em Pernambuco, Lula vence todos os adversários testados com uma margem superior a 30 pontos percentuais.

Metodologia

Em Minas Gerais, a pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.482 eleitores em 69 municípios entre os dias 22 e 26 de julho de 2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Em Pernambuco, foram entrevistados 900 eleitores em 52 municípios entre os dias 22 e 26 de julho de 2026. A margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

As pesquisas foram encomendadas pela Genial Investimentos e encontra-se registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os protocolos MG-03490/2026, BR-09333/2026, PE-09649/2026 e BR-03810/2026.

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