Genial/Quaest: a recuperação de Flávio Bolsonaro e o novo ritmo da disputa presidencial

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 5 de agosto de 2026

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O cenário eleitoral para a sucessão presidencial de 2026 registra uma movimentação relevante no início do segundo semestre. Os dados da nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, realizada entre o fim de julho e os primeiros dias de agosto, mostram um quadro em que a polarização ganha novo fôlego. A principal dinâmica do momento é a recuperação de Flávio Bolsonaro, impulsionada pela reorganização do eleitorado de oposição, associada à desaceleração dos ganhos marginais das pautas econômicas do governo federal.

Primeiro e segundo turno: o afunilamento da vantagem

No cenário estimulado de primeiro turno, o levantamento aponta a oscilação de Flávio Bolsonaro de 28% em julho para 30% em agosto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oscilou de 40% para 39%. Na sequência, Ronaldo Caiado e Renan Santos somam 4% das intenções de voto cada, ao passo que Romeu Zema registra 2%. O contingente de eleitores indecisos se fixa em 10%, e os votos brancos, nulos ou de quem declara que não vai votar totalizam 8%.

recuperação de Flávio Bolsonaro

Nas projeções para o segundo turno, o afunilamento fica mais evidente. Em uma simulação direta entre os dois principais nomes da disputa, Flávio avança de 37% para 39%, e Lula oscila de 45% para 44%. Com isso, a vantagem do atual presidente encolheu 3 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, passando de 8 para 5 pontos percentuais. Nesse cenário, brancos, nulos e abstenções somam 13%, enquanto 4% permanecem indecisos.

A evolução dos indicadores de potencial de voto e rejeição acompanha essa mudança de patamar:

  • Flávio Bolsonaro: seu potencial de voto (“conhece e votaria”) subiu de 38% para 41%, ao mesmo tempo em que a rejeição (“conhece e não votaria”) caiu de 57% para 54%. Além disso, a convicção do seu eleitorado fortaleceu-se: a parcela com voto definitivo em seu nome saltou de 62% em julho para 68% em agosto.
  • Lula: apresenta 45% de potencial de voto (ante 47% em julho) e 52% de rejeição (contra 50% no mês anterior). Seu eleitorado mantém alta consolidação, com 77% declarando voto definitivo.
  • Outros nomes: Ronaldo Caiado registra 22% de potencial de voto, 34% de rejeição e 44% de desconhecimento. Romeu Zema soma 19% de potencial, 32% de rejeição e 49% de desconhecimento. Renan Santos alcança 15% de potencial, 20% de rejeição e 65% de desconhecimento.

Os fatores por trás da recuperação de Flávio Bolsonaro

A recuperação de Flávio Bolsonaro não decorre de retóricas sobre o sistema eleitoral, mas de uma recombinação de fatores internos do campo oposicionista e de reações a decisões do Judiciário. As declarações de Flávio sobre as urnas em reunião com embaixadores, por exemplo, mostram efeito defensivo: reduzem a chance de voto para 26% e aumentam para apenas 15% (54% dizem que não afeta).

A reorganização da oposição estrutura-se, na verdade, sobre três pilares principais:

1. Consolidação da base conservadora e recuo no eleitorado independente

Na simulação de segundo turno, o apoio a Flávio saltou de 74% para 81% entre os eleitores que se identificam como “direita não-bolsonarista” e de 91% para 95% entre os “bolsonaristas”. No segmento dos eleitores “independentes”, a vantagem de Lula, que era de 13 pontos em julho (40% a 27%), reduziu-se para 4 pontos em agosto (33% a 29%).

2. A paz pública com Michelle Bolsonaro

A reconciliação pública entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi avaliada de forma positiva por 59% do eleitorado geral. Essa aprovação atinge 88% na direita não-bolsonarista e 90% entre os bolsonaristas. Consequentemente, 46% dos brasileiros acreditam agora que o apoio direto de Michelle aumenta as chances de vitória de Flávio (ante 38% em julho). Entre os bolsonaristas, esse índice saltou de 45% para 79%; na direita não-bolsonarista, subiu de 53% para 70%.

3. Reação à decisão do STF

A proibição imposta pelo Supremo Tribunal Federal para que Flávio visitasse Jair Bolsonaro foi considerada errada por 52% dos entrevistados, enquanto 41% a classificaram como correta. A percepção de exagero institucional é amplamente majoritária nos segmentos de oposição e no centro: 92% entre bolsonaristas, 83% na direita não-bolsonarista e 50% entre os independentes.

O limite dos ganhos marginais do governo e o impacto do tarifaço

Do lado governista, a estabilização dos indicadores ocorre em um momento no qual os programas sociais e econômicos passam a produzir menor retorno político marginal. A aprovação geral do governo Lula permanece estável em 48%, enquanto a desaprovação situa-se em 47%.

Os dados econômicos de percepção direta mostram desaceleração:

  • Desenrola 2.0: a percepção de que o programa de renegociação de dívidas é uma “boa ideia” caiu de 55% em julho para 47% em agosto. Entre os beneficiados diretos, a parcela que sentiu um impacto “significativo” na renda recuou de 35% para 26%, enquanto os que “não sentiram diferença” subiram para 37%.
  • Isenção do IRPF: o percentual de beneficiados que afirmam não ter sentido diferença na renda após a isenção subiu de 39% para 46%, enquanto os que relataram aumento significativo caíram de 24% para 21%.

A essa acomodação interna soma-se o efeito do cenário externo. A reação do governo federal às novas tarifas de importação impostas por Donald Trump (“tarifaço”) passou a registrar saldo negativo de avaliação. Em maio, 39% avaliavam a resposta de Lula como boa e 36% como má (+3). Em agosto, 43% consideram que o governo reagiu mal e 38% que reagiu bem (-5).

Esse desgaste refletiu-se na disputa sobre quem melhor defende os interesses do país: a vantagem de Lula sobre Flávio nesse quesito, que era de 17 pontos em julho (51% a 34%), caiu para 8 pontos em agosto (46% a 38%).

A movimentação das alternativas fora da polarização central

Enquanto o primeiro turno segue polarizado entre Lula e Flávio, os cenários de segundo turno com alternativas de terceira via apresentam comportamentos distintos:

  • Ronaldo Caiado apresenta trajetória de crescimento gradual nas simulações de segundo turno contra Lula. A desvantagem do governador goiano em relação ao atual presidente encolheu para 8 pontos percentuais (45% Lula x 37% Caiado).
  • Renan Santos mantém uma trajetória consistente de aproximação. A margem favorável a Lula em um eventual segundo turno contra o candidato do Missão, que era de 17 pontos em maio (45% a 28%), caiu para 10 pontos percentuais em agosto (45% a 35%).
  • Romeu Zema perdeu tração no mesmo período. A distância entre o ex-governador mineiro e Lula no segundo turno ampliou-se ao longo das últimas quatro pesquisas, fixando-se em 12 pontos percentuais (46% Lula x 34% Zema).

Metodologia

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2026. O nível de confiança do estudo é de 95%, e a margem máxima de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e encontra-se registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06591/2026.

📊 Baixe o relatório completo aqui.

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