Pesquisa Genial/Quaest: o panorama das eleições no Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 30 de julho de 2026

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A rodada da pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 24 e 28 de julho de 2026, traz um raio-X completo do cenário político no Rio Grande do Sul, em Goiás e no Ceará. O estudo analisa as intenções de voto para os governos estaduais, a corrida pelas vagas no Senado Federal e a projeção do eleitorado para a Presidência da República nessas três praças estratégicas.

Rio Grande do Sul: indefinição no governo estadual e equilíbrio na corrida presidencial

No Rio Grande do Sul, a disputa pelo Palácio Piratini começa sem um favorito claro. No primeiro turno estimulado, Juliana Brizola (24%) e Luciano Zucco (22%) aparecem tecnicamente empatados, enquanto quase um terço do eleitorado ainda não definiu sua candidatura.

Apesar do equilíbrio numérico, a estrutura da disputa reflete um desenho bastante desigual:

  • Juliana Brizola: concentra a preferência do eleitorado de esquerda.
  • Luciano Zucco: reúne os votos do eleitorado alinhado à direita.
  • Gabriel Souza: candidato associado à continuidade da gestão de Eduardo Leite, ainda não conseguiu ocupar o espaço de centro.

O principal gargalo para Gabriel Souza é a baixa transferência de capital político do atual governo: apenas 15% dos gaúchos o identificam como o nome apoiado por Leite, enquanto 79% não sabem indicar quem representa a continuidade. Além disso, o ambiente para a sucessão apresenta resistências, já que 51% entendem que Eduardo Leite não merece eleger seu sucessor, frente a 38% que avaliam positivamente essa transferência.

Nas simulações de segundo turno para o governo gaúcho:

  • Zucco x Juliana: Zucco reduziu a distância e ambos figuram em empate técnico (Juliana: 35%, Zucco: 31%), com 21% de indecisos e 13% de votos brancos, nulos ou abstenções.
  • Juliana x Gabriel Souza: a candidata do PDT lidera por 35% a 20%, com 26% de indecisos.
  • Zucco x Gabriel Souza: o candidato do PL aparece à frente por 32% a 20%, com 28% de eleitores indecisos.

A corrida estadual permanece pouco consolidada: apenas 34% consideram o voto definitivo e 62% afirmam que ainda podem mudar. Entre os eleitores de Zucco, a convicção atinge 57%, enquanto entre os apoiadores de Juliana o índice é de 47%.

A disputa ao Senado e o cenário presidencial no eleitorado gaúcho

Para o Senado Federal, considerando a combinação dos dois votos, Manuela D’Ávila surge numericamente à frente com 12%. Rigotto e Pimenta registram 9% cada, seguidos por Marcel Van Hattem (7%) e Ubiratan Sanderson (6%). A marca principal da eleição senatorial gaúcha é a elevada indefinição, com 39% de indecisos.

Há também um contraste de consolidação: embora Manuela lidere, apenas 47% de seus eleitores consideram o voto definitivo, enquanto entre os eleitores de Van Hattem e Sanderson esse índice chega a 64%.

Na eleição presidencial de primeiro turno no Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro (32%) e Lula (30%) aparecem em empate técnico. Ronaldo Caiado soma 3% e Renan Santos registra 2%, com 19% de indecisos. Juntos, Flávio e Lula concentram 62% das intenções de voto no estado. A escolha presidencial se mostra mais consolidada do que as estaduais: 50% afirmam ter voto definitivo para presidente, contra 34% para governador e 34% para senador.

No segundo turno presidencial no estado, Flávio aparece numericamente à frente com 40% contra 35% de Lula, situando-se no limite do empate técnico, com 11% de indecisos e 14% de brancos/nulos. Lula também empata tecnicamente no estado em simulações contra Caiado e Zema.

Por fim, a avaliação do governo Lula registrou melhora no Rio Grande do Sul, embora permaneça com saldo negativo: a aprovação subiu de 38% para 39%, e a desaprovação recuou de 56% para 55%. Em comparação com fevereiro de 2025 (quando registrava 33% de aprovação e 66% de desaprovação), o governo federal apresenta recuperação em solo gaúcho.

Goiás: favoritismo de Daniel Vilela, força de Caiado e hegemonia do governador no pleito presidencial

Em Goiás, a pesquisa Genial/Quaest aponta Daniel Vilela como o favorito na corrida pelo Palácio das Esmeraldas. Ele lidera o primeiro turno com 37% das intenções de voto, abrindo 16 pontos de vantagem sobre Marconi Perillo, e lidera em todos os recortes demográficos (gênero, escolaridade, renda, religião e, em especial, entre os jovens).

Daniel exibe ampla competitividade política: lidera entre eleitores independentes, na direita não-bolsonarista e entre bolsonaristas, além de manter bom desempenho entre lulistas e na esquerda. No entanto, a eleição estadual ainda se mostra em aberto, com o percentual de eleitores que podem mudar de voto subindo de 52% para 56%.

Nas projeções de segundo turno para o governo goiano:

  • Daniel x Marconi: Daniel vence por 52% a 28%, ampliando a vantagem desde abril ao ganhar seis pontos, enquanto Marconi permaneceu estável.
  • Daniel x Wilder Morais: a margem sobe para 54% contra 16% de Wilder. Daniel cresceu e Wilder recuou, mostrando que até a principal referência do bolsonarismo local perde espaço diante da candidatura governista.

O pilar central dessa força política reside no governador Ronaldo Caiado, que ostenta 87% de aprovação. Para 71% dos goianos, Caiado merece eleger o seu sucessor (apenas 19% discordam).

Daniel Vilela também desfruta de boa avaliação pessoal: 64% aprovam seu trabalho (12% desaprovam), somando 53% de avaliação positiva e 4% de negativa. O principal desafio está na associação: apenas 35% sabem que Daniel é o candidato de Caiado, enquanto 63% não sabem responder, indicando margem para ampliação na transferência de votos.

Senado e Presidência no cenário goiano

Na corrida ao Senado por Goiás, Gracinha Caiado lidera com 20% na combinação dos dois votos. Vanderlan Cardoso registra 10%, seguido por Zacharias Calil (9%) e Gustavo Gayer (9%). Gracinha lidera numericamente em praticamente todos os segmentos (lulistas, esquerda, independentes e bolsonaristas).

A disputa pela segunda vaga segue aberta, com 31% de indecisos, 61% dispostos a mudar de voto e apenas 37% com escolha definitiva.

No cenário presidencial, Goiás apresenta uma dinâmica única: Ronaldo Caiado lidera o primeiro turno em sua base eleitoral com 33%, seguido por Flávio Bolsonaro (27%) e Lula (23%). Contudo, a firmeza do voto varia significativamente: 75% dos eleitores de Flávio e 72% dos eleitores de Lula declaram voto definitivo, enquanto entre os eleitores de Caiado esse índice cai para 48%.

Nas simulações de segundo turno para presidente em Goiás:

  • Caiado x Lula: Caiado vence por 67% a 23%.
  • Flávio x Lula: Flávio vence por 47% a 35%.
  • Lula x Renan / Lula x Zema: empate técnico entre Lula e Renan Santos (34% x 31%) e entre Lula e Zema (35% x 33%).

O ambiente no estado é desfavorável à reeleição nacional: 69% dos eleitores goianos afirmam que Lula não merece mais quatro anos na Presidência, contra 29% que defendem sua permanência.

Ceará: Ciro Gomes lidera a disputa para o governo

No Ceará, a pesquisa Genial/Quaest registra Ciro Gomes na liderança da disputa pelo governo do estado, abrindo 10 pontos de vantagem sobre o atual governador Elmano de Freitas no primeiro turno. Eduardo Girão aparece com 3% e Jarir registra 1%, enquanto os indecisos somam 13%.

A estrutura ideológica do pleito cearense desenha limites claros:

  • Elmano de Freitas: registra 58% entre os lulistas e 53% na esquerda.
  • Ciro Gomes: domina 62% da direita e 72% do eleitorado bolsonarista, além de liderar entre os independentes (44% a 24%).

Esse arranjo explica uma aparente contradição: embora 45% dos cearenses prefiram um governador aliado de Lula, Ciro aparece à frente de Elmano, demonstrando que o desejo de alinhamento federal não se converte automaticamente em votos para o atual gestor.

Contudo, a identificação avançou: 51% já reconhecem Elmano como o candidato de Lula (eram 30% em abril). O voto para governador no Ceará ganhou firmeza, com a decisão definitiva subindo de 41% para 51% e os que podem mudar caindo de 58% para 48%.

No segundo turno no Ceará, Ciro amplia a margem para 13 pontos: Ciro atinge 48% e Elmano marca 35% (com 10% de indecisos e 7% de brancos/nulos). Em abril, o placar era de 46% a 35%.

Senado no Ceará: Cid Gomes lidera todas as simulações para o Senado (variando entre 21% e 24% na combinação de votos). Capitão Wagner aparece em segundo com 16%, seguido por Luizianne Lins (9%) e Eunício Oliveira (8% a 10%).

Cid lidera entre lulistas, esquerda e independentes, enquanto Capitão Wagner domina na direita e no bolsonarismo. Indecisos somam de 20% a 21%, com 57% abertos a mudar de voto e 42% consolidados.

Ampla vantagem de Lula no eleitorado cearense

Na corrida presidencial, o presidente Lula mantém hegemonia no Ceará. No primeiro turno, Lula lidera com 55% contra 22% de Flávio Bolsonaro, enquanto os demais candidatos atingem no máximo 2%.

No segundo turno no estado, Lula alcança 60% em todas as simulações:

  • Lula x Flávio Bolsonaro: 60% x 23%.
  • Lula x Ronaldo Caiado: 60% x 19%.
  • Lula x Romeu Zema: 60% x 17%.
  • Lula x Renan Santos: 60% x 17%.

A escolha presidencial é a mais consolidada no Ceará (63% de voto definitivo, contra 51% para governador e 42% para senador). A aprovação da gestão de Lula atinge 60% no estado (34% de desaprovação), com a avaliação positiva subindo de 45% para 49% e 55% dos cearenses defendendo que o presidente merece um novo mandato.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada presencialmente entre os dias 24 e 28 de julho de 2026, encomenda da Genial Investimentos. O levantamento ouviu 1.104 eleitores no Rio Grande do Sul (em 62 municípios), 1.104 eleitores em Goiás (em 54 municípios) e 1.002 eleitores no Ceará (em 50 municípios).

Para todos os estados avaliados, a margem de erro máxima estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Os estudos encontram-se devidamente registrados na Justiça Eleitoral sob os seguintes protocolos:

  • Goiás: GO-01701/2026 e BR-08063/2026
  • Ceará: CE-09277/2026 e BR-03238/2026
  • Rio Grande do Sul: RS-04790/2026 e BR-01871/2026

📊 Baixe aqui os relatórios completos de cada estado.

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