Eleição polarizada começa a se fechar

Por Felipe Nunes | CEO
Publicado em 28 de setembro de 2026

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Com menos indecisos e menos espaço para o voto útil, Lula chega à última semana na liderança e Flávio Bolsonaro consolida como adversário do segundo turno

A última semana do primeiro turno começa com uma eleição menos aberta do que parecia há 15 dias. A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, mostra que o eleitor está fechando sua decisão. Os indecisos caíram pela metade, de 10% para 5%. O voto útil, que chegou a 16% duas semanas atrás, recuou para 12%. Há menos gente em dúvida e menos gente disposta a trocar de candidato na reta final. O resultado desse movimento é um cenário mais nítido: Lula lidera com 39% e Flávio Bolsonaro se consolida com 34%.

Os dois saíram ganhando, mas por caminhos diferentes. Lula alcança seu melhor número da série, iniciada em agosto, depois de passar semanas estacionado entre 36% e 37%. A diferença de cinco pontos para Flávio agora está fora da margem de erro. Flávio, por sua vez, fez o percurso mais longo. No início de setembro ele tinha 29%. Desde então, subiu cinco pontos em quatro rodadas, e boa parte desse crescimento veio do esvaziamento das candidaturas alternativas. O caso mais claro é o de Augusto Cury, que chegou a 10% no começo do mês e agora tem 4%. Ronaldo Caiado segue com 4%, Renan Santos tem 3% e Zema, 1%. A terceira via, que ensaiou crescer, perdeu fôlego exatamente quando o eleitor começou a decidir.

Vale notar também para onde foram os indecisos. Parte deles escolheu um candidato, mas outra parte decidiu não escolher ninguém: brancos, nulos e os que dizem que não vão votar subiram de 7% para 10%. A polarização não empurra todo mundo para um dos lados. Uma fatia do eleitorado prefere sair da disputa a optar entre Lula e um Bolsonaro.

No segundo turno, o empate numérico persiste: 42% a 42%. Flávio repete os mesmos 42% pela terceira rodada seguida, o que mostra um eleitorado firme, mas também um teto. Seu potencial de voto segue em 43% e sua rejeição, em 56%. Lula oscilou dois pontos para cima no mesmo período, e seu potencial de voto passou de 45% para 46%, enquanto a rejeição caiu de 55% para 54%.

A recuperação de Lula tem endereço. Entre as mulheres, o que era praticamente um empate há duas semanas virou uma vantagem de nove pontos: 46% a 37%. Entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula tem 55% contra 29% de Flávio. Entre os beneficiários do Bolsa Família, voltou a ter 59%, contra 27% do
adversário.

Esses são justamente os grupos mais sensíveis ao pacote de medidas anunciado pelo governo na semana passada. A restrição às apostas on-line é aprovada por 62% dos entrevistados, a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras no SUS por 58% e o reajuste de 15% do Bolsa Família por 59%. Entre as mulheres, a aprovação é ainda maior: 64% apoiam a restrição às bets e 62% aprovam tanto as canetas quanto o reajuste do benefício. O reajuste do Bolsa Família é aprovado por 74% dos eleitores de baixa renda. Chama atenção, no entanto, que a restrição às bets fura a bolha do governo: é mais bem avaliada entre quem ganha mais de cinco salários mínimos (68%) do que entre os mais pobres (58%).

Há ainda um movimento entre os católicos. Lula aparece 13 pontos à frente de Flávio nesse segmento, seu melhor resultado desde meados de agosto. O questionário já estava registrado no TSE quando a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida tomou as redes, mas há indícios de que o tema ajudou Lula ao ampliar o medo da volta dos Bolsonaro. Entre católicos, 52% dizem temer mais o retorno da família ao poder, contra 36% que temem mais a reeleição de Lula. Entre evangélicos, o sentimento é o inverso e também se aprofundou: 60% temem mais Lula.

O mesmo vale para a divisão por sexo. O medo da volta dos Bolsonaro cresceu entre as mulheres (47%), enquanto o medo de mais um governo Lula cresceu entre os homens (50%). O gap de gênero, que já era uma marca desta eleição, aumentou na reta final.

A notícia mais relevante para o governo, porém, talvez esteja na aprovação. O saldo negativo, que era de seis pontos na semana passada, caiu para três: 46% aprovam e 49% desaprovam. Com isso, a probabilidade de reeleição de Lula volta a ficar acima de 50%. Só não é maior porque a avaliação do governo continua no vermelho: 34% o consideram ótimo ou bom e 41% ruim ou péssimo. Nenhum presidente brasileiro venceu uma eleição com saldo negativo de avaliação a essa altura da corrida.

A eleição, portanto, começa a se fechar. O primeiro turno tende a confirmar o duelo entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o petista na frente. O segundo turno segue aberto, e será decidido nas mesmas trincheiras de sempre: mulheres, mais pobres, católicos e aquela fatia de eleitores que, por ora, prefere não votar em ninguém.

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